Rolando Boldrin
26062008
Rolando Boldrin: Este é o nome completo e também o nome artístico deste excelente “cantadô”, como ele mesmo se define. Mas quem sou eu para me meter a contar a historia do maior « contadô de causos » do Brasil? Conta pra gente, seu Rolando, como é que foi
« Comigo foi assim: Nasci no meio dum amontoado de crianças. Eu era o 7º da vêz, entre 12 machos e fêmeas. Sou do Ano de 36. Meu pai era mecânico de fordinho e minha mãe, dava comida e banho na gente, além de arrumar a casa simples. A Cidade era São Joaquim da Barra, perto de Ribeirão Preto, no caminho de Brasília, via Anhanguera. Sou paulista da velha Mogiana.
Quando eu tinha 2 aninhos e minha mãe carregando mais um no colo, a gente se arranchou todo mundo, na cidade de Guaira, alí pertinho. Ficamos por aquelas bandas de poeira, até o final da guerra. Lá garrei a cantar em dueto com meu irmão modas de viola, toadas e canções.
Arribamos de novo, volteando a região, até fincarmos pé na velha terrinha. Óia eu em São Joaquim, de novo. Com 16 anos, resolví arribá sozinho. Agora pra Capital. São Paulo da garoa.
O que é que um menino de 16 pode esperar na grande Capital cheia de bonde, jardineiras e fumaça, já naquela época?
Foi cabeçada pra cá, trombada pra lá, alguns servicinhos de sapateiro, garçon, frentista de posto de bera-de-estrada e por aí vai. Completei 18 anos. Idade que se presta para servir a Pátria amada. Fui para o exército. Quitaúna, em Barueri.
Lá Aquartelado, fiquei o que mandava a lei. 1 ano. O suficiente para tomar-pé, na morte do Presidente Getúlio Vargas. Aliás, o suicídio desse velho gaúcho, só serviu mesmo, para adiar a minha baixa do exército que já tava programada, além de « bagunçar o corêto » da Nação, é claro. (1955)
Mas, não faz mal. Saí de lá com a cara e a coragem para topar de frente com a minha carreira de artista, que era o que eu imaginava ser no futuro, pois nessa arte de cantar, tocar viola e violão, eu já tinha experimentado de tudo.
Desde as modas mais simples da época, até os sambas e canções dos cantores mas famosos: Chico Alves, Orlando Silva, Carmen Miranda, Noel e tantos outros. Na parte caipiresca eu ouvia o Alvarenga e Ranchinho (com quem fiz dupla naGlobo em 81), Jararaca e Ratinho, Xerém e Bentinho… e muito rádio … muito rádio e alto-falantes das pracinhas de interior.
Com a experiência de cantadô inato, e contadô de « causos », era justo que eu tentasse essa vida.
Com 20 anos ou 21, garrei a fazer teste em Rádios da capital. Rádio São Paulo, Record, até chegar na velha Rádio Tupi que já tava engatinhando com uns anos de televisão. Era o ano de 1958.
Fiquei mostrando os dentes pelos corredores, fazendo um pouquinho de tudo, até assinar o primeiro contrato para atuar como ator de TV e Rádio. Até que enfim, acreditam que aquele « Capiau » magrela e desajeitado poderia ser um artista de verdade? »
Para a nossa felicidade, Rolando Boldrin apresenta o programa Sr. Brasil, que vai ao ar toda terça-feira pela TV Cultura, com reprise nas tardes de domingo. Desde 1981, quando Rolando Boldrin começou a contar seus « causos » durante três anos no inesquecível Som Brasil, nas manhãs de domingo na TV Globo, seguido pelo Empório Brasileiro na Rede Bandeirantes em 1984, Empório Brasil no SBT em 1989 e Estação Brasil na TV Gazeta em 1997, o « cantadô » voltou às telas da TV. De acordo com o próprio Rolando Boldrin, Sr. Brasil é um programa vasto, aberto e receptivo. « Vamos mostrar os ritmos e temas regionais brasileiros que a maior parte do Brasil não tem oportunidade de conhecer. Serão mostradas todas as manifestações regionais. A única obrigatoriedade é que tudo seja genuinamente nacional. »
Atualmente, Rolando Boldrin desenvolve um projeto chamado « Vamos tirar o Brasil da Gaveta », que visa resgatar os autênticos valores brasileiros e todas as suas formas de expressão. Sr. Brasil surge como um paralelo deste projeto, já que a cultura do nosso país é o tema dominante.
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